O fechamento mensal trava quando um documento essencial está faltando — e o contador só descobre no dia 28. Nesse ponto, o prazo para buscar o documento, processá-lo e entregar as obrigações é curto demais para não haver consequências: multa, retrabalho, ligação de emergência para o cliente.
A causa quase sempre é a mesma: o escritório não tem um checklist formal por cliente — tem uma lista mental, ou uma lista genérica que serve "mais ou menos" para todos os perfis. No dia do fechamento, alguém percebe que o item específico daquele cliente não foi pedido no início do mês.
Este artigo traz o checklist por regime tributário — não como lista genérica para imprimir e colar na parede, mas como base para construir um template ativo por tipo de cliente.
Por que um checklist resolve — e uma lista genérica não
Uma lista genérica de "documentos contábeis" circula em grupos do WhatsApp e em postagens de blog desde sempre. O problema com ela é exatamente a generalidade: ela não sabe se o cliente é MEI, Simples Nacional ou Lucro Real. Não sabe se tem funcionários ou não. Não sabe se opera com estoque. Não sabe se há retenções de terceiros.
Um checklist útil é por cliente, não por regime genérico. O regime é o ponto de partida — mas o template final precisa considerar as particularidades de cada empresa. Uma distribuidora no Simples Nacional com 12 funcionários e estoque tem uma lista bem diferente de uma consultoria no mesmo regime sem funcionários e sem estoque.
A estrutura por regime abaixo serve como base. O escritório adapta para cada cliente na primeira vez — e depois o template é reutilizado todo mês, com ajuste apenas para eventos não recorrentes.
Documentos por regime tributário
Simples Nacional
É o regime mais comum entre os clientes de escritórios de pequeno e médio porte. A lista é mais curta do que nos outros regimes, mas não pode ter itens faltando:
- Notas fiscais emitidas e recebidas: NF-e de saída e de entrada do mês. Em clientes com volume alto, é necessário definir o formato de envio (XML, relatório do sistema, etc.) para evitar reenvio.
- Extrato bancário e conciliação: extrato de todas as contas bancárias ativas. Sem conciliação, o fechamento fica incompleto e movimentações não explicadas geram retrabalho.
- Folha de pagamento e encargos: somente para empresas com funcionários CLT. Inclui holerites, FGTS e GPS.
- Pro-labore dos sócios: quando há sócios com retirada formal. Muitos clientes confundem pro-labore com distribuição de lucros — vale padronizar o pedido para deixar claro o que é necessário.
- Comprovantes de pagamento de impostos do mês anterior: DAS, FGTS, GPS. Necessários para conferir a adimplência fiscal antes do fechamento do mês corrente.
Lucro Presumido
Empresas no Lucro Presumido têm obrigações acessórias adicionais e apuração trimestral de IRPJ e CSLL. A lista inclui tudo do Simples mais:
- DRE parcial: demonstrativo de resultado do período, necessário para acompanhar a base de cálculo presumida e identificar desvios antes do fechamento trimestral.
- Relatório de estoques: aplicável a empresas com atividade comercial ou industrial. Sem esse dado, a apuração de CMV fica comprometida.
- Documentos de retenções: comprovantes de retenção de ISS, PIS e COFINS em serviços tomados de terceiros ou prestados a tomadores obrigados a reter. Item frequentemente esquecido pelo cliente porque ele não vê essa informação no movimento cotidiano.
Lucro Real
O Lucro Real é o regime mais exigente em documentação. Além de tudo do Presumido, é necessário:
- LALUR e controle de adições e exclusões: o Livro de Apuração do Lucro Real precisa ser atualizado mensalmente (ou trimestralmente, conforme a opção). Adições e exclusões ao lucro líquido precisam de documentação de suporte.
- Relatórios de depreciação e amortização: o controle de ativos imobilizados e intangíveis afeta diretamente a apuração do IRPJ. Escritórios que não recebem esse relatório mensalmente costumam ter divergências no balancete.
- Balancete analítico: necessário para conferência dos saldos contábeis e identificação de lançamentos incorretos antes do fechamento.
- Documentos de operações financeiras: para empresas com aplicações, empréstimos ou operações de câmbio — os rendimentos e despesas financeiras afetam a base de cálculo e precisam de documentação específica.
Como usar o checklist sem transformar em burocracia
Um checklist só é útil se for usado de forma sistemática. A armadilha mais comum é criar um template excelente, usá-lo nos primeiros meses e depois abandoná-lo quando o movimento aumenta. O processo precisa ser automático, não dependente de memória.
A estrutura que funciona é a seguinte: o template por tipo de cliente existe no sistema. No início de cada competência, o sistema gera automaticamente a lista de pendências para cada cliente com base no template dele. O cliente recebe o link para o portal com a lista já montada. O escritório não precisa montar a lista todo mês — só gerenciar o que chegou e o que está pendente.
Cada item da lista tem um status: pendente (ainda não enviado), enviado (recebido, aguardando revisão), aprovado (conferido e aceito) ou rejeitado (enviado com problema, aguarda reenvio). O contador vê, em uma tela, o estado de cada item de cada cliente — sem abrir pasta por pasta.
O resultado prático: o descobrimento de documentos faltando não acontece no dia 28. Acontece no dia 12, quando ainda há tempo de cobrar o cliente, esperar o reenvio e processar dentro do prazo.
Para entender como estruturar o processo completo de coleta, veja o guia sobre gestão de documentos no escritório contábil.
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